ANOTAÇÕES DO AUTOR
1) O silêncio, por definição, é o que não se escuta, não é audível e, representa assim, uma ausência.
Mas existe, na música, nas pausas.
Sem essas pausas não existiria música, fazem parte dela..
A fotografia, por princípio, seria uma forma de expressão silenciosa, assim como a pintura, a escultura.
Mas isto se pensarmos no som apenas.
Mas de uma modo forma
diferente assim como as pausas na música também
De uma forma
diferente uma imagem também fala e pode referir-se a coisas que estão ausentes ou que se fazem presentes de um modo diferente do que esperamos e são, assim, ignoradas.
Conseguir captar esses momentos seria o que, num primeiro momento,
Conseguir captar esses momentos seria o que, num primeiro momento,
denominaria "Imagens do Silêncio" ou, talvez, "Vozes do Silêncio".
Contudo são apenas observações preliminares a exigir aprofundamento, amadurecimento e, fundamental, a participação do espectador através de suas múltiplas leituras
2) A exposição é constituída por fotos de uma viagem de quase 4 meses pela Europa durante abril, maio, junho e julho de 2014.
São fotos de Londres, Ipswich, Richmond, Faversham, Brighton ( Inglaterra) , Brest, Paris, Douarnenez, Quimper (França), Köln e Amsterdam.
Uma única é do Rio de Janeiro
Em algum momento ,a partir de uma ou duas fotos, especialmente quero crer de Wilton Road no subúrbio londrino de Colliers Wood, dei-me conta de que tinha captado um certa atmosfera na qual o elemento ausência era muito presente embora, igualmente em alguns casos, a presença do espectador pudesse ser perceptivel.
Outros elementos igualmente persistentes poderiam ser solidão, intemporalidade, "desertificação" da paisagem.
A seguir, de posse dessa " chave" fui pesquisando outras fotos que acompanhassem o mesmo clima e , como uma descoberta, fui encontrando várias.
Ou seja , as imagens já existiam, já havia o registro, tratava-se de algo presente na minha visão embora, num primeiro momento, não tivesse tido consciência deste fato. Propus-me, então, pesquisá-las e selecioná-las.
Devo dizer que em algumas , em grande parte talvez, sinto uma evocação das cenas finais de L'Eclisse de Antonioni pelas quais tenho especial predileção.
Estas cenas assemelham-se à uma sequência de fotos constituindo um momento de raro significado estético em que cinema, fotografia e música, ainda que no caso de L'Ecllisse apenas sons, dão-se as mãos.
Haveria uma remota influência que pudesse ter ficado instalada em meu inconsciente?
Mas disto sé me dei conta depois que passei a reunir as fotos e fui, então, buscar a referência que descobri existir.
A música , por outro lado, entendi desde o início que era parte integrante da proposta.
Piano and String Quartet (1985) de Morton Feldman, pareceu-me muito próximo do ambiente, da atmosfera que passei a descobrir
Elaborar,então, a mostra na forma também de um video acabou sendo uma decorrencia natural.
Outro elemento que tenho procurado agregar são os comentários e observações dos espectadores.
Não me sinto capaz isoladamente de dar conta do conjunto de significados e de interpretações que as fotos possam suscitar.
Entendo que a obra se realiza na medida em que a intervenção do espectador se faça presente.
Penso que o papel da fotografia seria abrir uma janela dentro da nossa percepção , um convite para o espectador participar, para entrar e ser, de algum modo, também parte da exposição..
Os comentários, ou seja, a expressão dessas percepções passam, portanto, a integrar a obra, e ser dela uma elemento essencial..
Por isto recebem destaque e pretendo, sempre que se propicie, ir aumentando essa participação.
2) A exposição é constituída por fotos de uma viagem de quase 4 meses pela Europa durante abril, maio, junho e julho de 2014.
São fotos de Londres, Ipswich, Richmond, Faversham, Brighton ( Inglaterra) , Brest, Paris, Douarnenez, Quimper (França), Köln e Amsterdam.
Uma única é do Rio de Janeiro
Em algum momento ,a partir de uma ou duas fotos, especialmente quero crer de Wilton Road no subúrbio londrino de Colliers Wood, dei-me conta de que tinha captado um certa atmosfera na qual o elemento ausência era muito presente embora, igualmente em alguns casos, a presença do espectador pudesse ser perceptivel.
Outros elementos igualmente persistentes poderiam ser solidão, intemporalidade, "desertificação" da paisagem.
A seguir, de posse dessa " chave" fui pesquisando outras fotos que acompanhassem o mesmo clima e , como uma descoberta, fui encontrando várias.
Ou seja , as imagens já existiam, já havia o registro, tratava-se de algo presente na minha visão embora, num primeiro momento, não tivesse tido consciência deste fato. Propus-me, então, pesquisá-las e selecioná-las.
Devo dizer que em algumas , em grande parte talvez, sinto uma evocação das cenas finais de L'Eclisse de Antonioni pelas quais tenho especial predileção.
Estas cenas assemelham-se à uma sequência de fotos constituindo um momento de raro significado estético em que cinema, fotografia e música, ainda que no caso de L'Ecllisse apenas sons, dão-se as mãos.
Haveria uma remota influência que pudesse ter ficado instalada em meu inconsciente?
Mas disto sé me dei conta depois que passei a reunir as fotos e fui, então, buscar a referência que descobri existir.
A música , por outro lado, entendi desde o início que era parte integrante da proposta.
Piano and String Quartet (1985) de Morton Feldman, pareceu-me muito próximo do ambiente, da atmosfera que passei a descobrir
Elaborar,então, a mostra na forma também de um video acabou sendo uma decorrencia natural.
Outro elemento que tenho procurado agregar são os comentários e observações dos espectadores.
Não me sinto capaz isoladamente de dar conta do conjunto de significados e de interpretações que as fotos possam suscitar.
Entendo que a obra se realiza na medida em que a intervenção do espectador se faça presente.
Penso que o papel da fotografia seria abrir uma janela dentro da nossa percepção , um convite para o espectador participar, para entrar e ser, de algum modo, também parte da exposição..
Os comentários, ou seja, a expressão dessas percepções passam, portanto, a integrar a obra, e ser dela uma elemento essencial..
Por isto recebem destaque e pretendo, sempre que se propicie, ir aumentando essa participação.
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